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Rodrigo de la Torre é um mestre pedreiro cujo principal campo de actividade é a conservação e o restauro de monumentos. Prova disso são as suas intervenções em diversas catedrais, colegiadas, igrejas e monumentos civis em Castela e Leão, Aragão, País Basco, Catalunha e Comunidade Valenciana.
A sua família está ligada à construção desde há várias gerações e, embora não o tenha conhecido, o seu avô também era pedreiro. No entanto, a sua formação em cantaria teve lugar na Escola de Canteiros de Poio, em Pontevedra, a única do género em Espanha.
O carácter necessariamente itinerante do seu trabalho ao longo de mais de 30 anos de trajectória, levou Rodrigo a trabalhar principalmente no local da obra, adaptando-se às necessidades de cada monumento. Isto implicou que trabalhasse sempre com diversos tipos de pedra, escolhidos de acordo com cada edifício, permitindo-lhe aprender, estudar e dominar múltiplos procedimentos, técnicas e acabamentos.
Entre os numerosos monumentos em que interveio, destacam-se os seguintes: as Catedrais de Palência (1987), Leão (1988-1989), Santo Domingo de la Calzada (1996), Calahorra (1997), Girona (2000-2001), Ávila (2015), Vitoria (2009), Jaca (2002, 2009), Tudela (2018) e Burgos (2019), a Colegiada de San Antolín de Medina del Campo (2008), a Colegiada de Santo Isidoro de Leão (2017), a Igreja de San Pablo de Valladolid (2007-2008), o Arco Romano de Medinaceli (2003-2005), o Mosteiro de Santa María de Huerta (2000, 2001, 2007) e o Mosteiro de Santa María la Real de Nájera (2004-2005).
Além disso, colaborou frequentemente nos estudos prévios ao restauro de numerosos monumentos e na concepção das soluções construtivas mais adequadas aos desafios de cada intervenção. Neste campo, destacam-se os seus trabalhos para o restauro do Pórtico da Glória da Catedral de Santiago de Compostela (2010-2016), notáveis pelo elevado nível de pormenor alcançado.
Trabalhou extensivamente como mestre de oficina, coordenando inúmeras equipas de cantaria directamente em obra, procedimento essencial para transmitir a sua experiência aos colegas mais jovens.
Por último, merece destaque também o seu trabalho como professor em cursos de formação profissional e laboral, que mantém até hoje através dos cursos de cantaria do CEARCAL, bem como a sua acção de divulgação do ofício e das suas técnicas em diferentes programas universitários especializados em restauro arquitectónico e em diversas publicações sobre o tema.
Paco Luis é um dos mestres de carpintaria estrutural de maior destaque em Espanha. As suas bases provêm de outros mestres carpinteiros da sua família, embora um momento decisivo na sua trajectória tenha sido a recuperação de um tecto em caixotões, o que o levou a entrar em contacto com Enrique Nuere. Desde então, tem continuado a investigar e a aprender com cada novo trabalho, contribuindo assim para manter vivo um ofício que, à época, pensava estar quase extinto. De facto, embora a sua actividade principal seja a concepção e construção de novas estruturas de coberturas – principalmente para casas particulares, palácios, hotéis – desde o início da sua carreira tem complementado este trabalho com aquele de que mais gosta: a recuperação de tectos em caixotões, devido à aprendizagem contínua que implica.
Este mestre carpinteiro domina não só as técnicas de entalhe, marchetaria, as técnicas tradicionais de encaixe, como unindo ripas (apeinazados), e a concepção e execução das muqarnas e dos padrões geométricos que compõem estas estruturas, mas também se encarrega pessoalmente dos acabamentos típicos das mesmas, como o douramento, o estofado e a policromia.
Na sua trajectória, sempre primou pela qualidade técnica. A sua continuidade no design, na forma, nos materiais e na técnica da carpintaria tradicional de lo blanco envolveu também um grande esforço de actualização, adaptando-a aos mercados locais e internacionais e tornando-a competitiva nas circunstâncias actuais. Prova disso é o facto de ter construído mais de 80 novos tectos em caixotões, sendo que a exportação representa actualmente 50% do seu trabalho, o que o levou a fundar, em 2006, uma delegação no bairro de Beverly Hills, em Los Angeles, Califórnia.
Além de todos os trabalhos que realizou para particulares em todo o mundo, Paco Luis construiu alguns tectos em caixotões particularmente representativos como os do pátio do Alcázar de Toledo (2005-06), os do Palácio dos Condes de Guadiana em Úbeda, convertido em hotel (2012), e um para o Museu da Memória da Andaluzia, Granada (2008-2009), entre outros.
Outro aspecto relevante do seu trabalho é a sua especial atenção e compromisso com o meio ambiente e a gestão de resíduos. Paco Luis Martos utiliza apenas madeira com certificados de sustentabilidade ou, se for caso disso, madeira reciclada resultante de demolições e vernizes à base de água e pigmentos naturais respeitadores do ambiente.
Por fim, dedica-se activamente à transmissão dos seus conhecimentos, dando formação a aprendizes no seu atelier e palestras, cursos e workshops práticos por toda a Espanha.
Antonio Gandano, natural de Arcos de la Frontera, quando era criança passava os seus verões numa cabana com a sua família, quando as povoações rurais de Arcos eram constituídas por este tipo de construção, mas só aos vinte anos é que começou a interessar-se pelo ofício e a trabalhar inicialmente com o mestre construtor de choças Juan Braza e mais tarde com Pepe el Manijero, também de Arcos. No entanto, o papel do seu pai foi fundamental na sua formação profissional, pois foi ele quem lhe ensinou a conhecer e a compreender em profundidade o campo e os materiais que nele se podem encontrar. Complementou a sua formação viajando pelo mundo, visitando e estudando outros tipos de construção com telhados de colmo e colaborando com mestres de vários países.
Graças a esta experiência, Antonio tornou-se uma referência internacional na sua profissão. O seu percurso levou-o a colaborar com diversas instituições nacionais e internacionais para a recuperação e implementação deste ofício, tanto em Espanha como noutros países da Europa e de África.
António trabalha com materiais locais: canas, palha, madeira, terra e pedra, que recolhe nas imediações de cada obra a realizar. Consoante o volume necessário, faz a recolha pessoalmente ou recorre a fornecedores, evitando sempre longas distâncias de transporte e, sobretudo, a utilização de substitutos ou produtos sintéticos, comuns no mercado actual.
As suas obras variam desde pequenos elementos, como guarda-sóis de palha, persianas de esparto e malhas de ocultação, até coberturas mais elaboradas, que requerem uma estrutura de suporte de madeira, e uma subestrutura de cana amarrada com palha. Estas uniões podem ser feitas com corda de fibra vegetal ou arame metálico. O primeiro tende a degradar-se mais cedo, pelo que, nestes casos, se opta normalmente pela costura metálica, que requer menos manutenção.
Realizou também choças habitáveis, inteiramente concebidas por ele, desde os alicerces até ao telhado, incluindo a construção de alvenarias de pedra semi-solta e terra aligeirada, coberturas vegetais e acabamentos com gesso e tintas de cal.
Para além da execução das suas obras, Antonio dedica grande parte do seu tempo à divulgação deste ofício, promovendo o seu reconhecimento e valorização. A construção tradicional com materiais naturais combina um raro nível de sustentabilidade e beleza, mas é muitas vezes subestimada precisamente pela sua humildade. Além das suas contínuas publicações nas redes sociais, dá cursos de formação no Museu da Cal de Morón e no Instituto Andaluz de Património Histórico, entre outros, e realiza frequentemente visitas às escolas para dar a conhecer às crianças as virtudes deste tipo de trabalho.
A vetraria Muñoz de Pablos é uma empresa familiar fundada pelo vitralista e muralista Carlos Muñoz de Pablos, juntamente com os seus filhos, Pablo e Alfonso Muñoz Ruiz, também vitralistas.
Carlos descobriu o interesse pelo desenho e pela pintura desde criança, na Escola de Artes e Ofícios de Segóvia. Na Escola de Belas-Artes de San Fernando, em Madrid, entrou em contacto com diferentes mestres que marcaram a sua carreira e cuja influência ainda hoje se reflecte na sua obra. Como vitralista, formou-se nas oficinas da antiga Casa Maumejean, em Madrid.
A formação dos seus filhos Pablo e Alfonso começou na sua própria casa em Segóvia, onde os pais, ambos pintores, mantêm o seu atelier. Interessaram-se pelo ofício desde muito novos e ambos estudaram Belas-Artes. Quando concluíram os estudos, decidiram criar um projecto com o pai e, em 1999, fundaram a nova empresa, onde puderam partilhar conhecimentos e experiências, aprendendo uns com os outros e continuando sempre a investigar novas técnicas e materiais.
Actualmente, o restauro de vitrais, a criação de novos vitrais para a arquitectura e a produção de vitrais independentes ou esculturas em vidro são os seus principais domínios de actividade.
Através do estudo e do restauro de obras de mestres vidreiros do passado, como Arnao de Flandres e Juan de Valdivieso, puderam conhecer em primeira mão o seu modo de trabalhar, redescobrindo progressivamente os segredos do seu ofício. Para o efeito, recorreram também à investigação contínua sobre a história dos procedimentos pictóricos, que lhes permite hoje em dia produzir as suas próprias grisalhas, amarelos de prata, entre outros. Colaboraram, assim, com alguns dos mais importantes centros de investigação da Europa, como o Instituto de Ciência dos Materiais do CSIC, o Instituto Universitário de Ciência dos Materiais da Universidade de Valência (ICMUV) ou a Universidade La Sapienza de Roma.
Também difundiram os seus conhecimentos através de numerosos cursos e formações universitárias, incluindo uma colaboração contínua com o Mestrado em Restauro e Reabilitação do Património da Universidad de Alcalá de Henares (Madrid) e com os Cursos Internacionais de Restauro do Património Cultural da Granja do Real Sitio de San Ildefonso (Segóvia).
Entre as suas muitas obras, destacam-se o restauro dos vitrais da Catedral de Segóvia, da Catedral de Ávila, do Banco de Espanha, do Palácio do Congresso dos Deputados, do Palácio do Senado e da Igreja de São Pedro em Montorio, em Roma, bem como a criação de vitrais para edifícios como o Alcázar de Segóvia, a Catedral de Colón e a Igreja das Mercês, ambas no Panamá.
Foi publicada por ocasião da cerimónia de entrega de prémios do Concurso de Arquitectura Richard H. Driehaus e dos Prémios Richard H. Driehaus das Artes da Construção 2020.
Ambas as iniciativas foram organizadas pela INTBAU (International Network for Traditional Building, Architecture & Urbanism) e pelo Ministério dos Transportes, Mobilidade e Agenda Urbana. Colaboram nesta iniciativa a Fundação Ekaba, o Ministério da Cultura e Desporto, o Prémio Rafael Manzano de Nova Arquitectura Tradicional e o Conselho Superior das Ordens dos Arquitectos de Espanha.
A IV cerimónia de entrega dos Prémios Richard H. Driehaus realizou-se virtualmente na quarta-feira, 7 de Outubro, às 17 horas, com retransmissão a partir do Salão de Actos do Ministério dos Transportes, Mobilidade e Agenda Urbana.
O evento foi presidido por David Lucas Parrón, Secretário-Geral da Habitação, acompanhado por Iñaqui Carnicero Alonso, Director-Geral da Agenda Urbana e Arquitectura, Javier Martín Ramiro, Director-Geral da Habitação e do Território, Laureano Matas, Secretário-Geral do Conselho Superior das Ordens dos Arquitectos de Espanha e Alejandro García Hermida, Director Executivo das iniciativas Richard H. Driehaus em Espanha e Portugal. Richard H. Driehaus, promotor destas iniciativas, realizou a sua intervenção a partir de Chicago, enquanto Harriet Wennberg, Directora Executiva da INTBAU (International Network for Traditional Building, Architecture & Urbanism), participou desde Londres.