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A Cantería Jaurrieta é uma pequena empresa familiar navarra com sede em Olite. Valeriano Jaurrieta iniciou a sua formação em cantaria em 1987, em Tafalla, começando imediatamente a trabalhar no Atelier do Governo de Navarra, em Olite, onde permaneceu até 2001, quando fundou a Cantería Jaurrieta com a sua mulher, Agustina Rodríguez.
Embora também desenvolvam projectos para construção nova, a sua actividade principal tem sido a cantaria para obras de restauro. O processo inicia-se geralmente com uma visita ao edifício a restaurar para obter os modelos e as medidas das peças a trabalhar no atelier. No seu trabalho, combinam ferramentas tradicionais com maquinaria moderna. Utilizam as máquinas apenas para as tarefas mais pesadas, como o corte e o desbaste inicias da pedra, reservando o trabalho manual para tudo o que requer a sensibilidade e a criatividade do artesão, factores determinantes no resultado final. O domínio da geometria é fundamental em todo o processo, sendo a chave para alcançar as formas pretendidas.
Graças ao seu domínio da escultura em pedra, o Governo de Navarra pôde, nas últimas décadas, realizar os trabalhos de restauro das estruturas pétreas não só de alguns dos principais monumentos de Olite, como o seu castelo ou a igreja de San Pedro, mas também de muitos outros conjuntos monumentais da região, como Ujué, Sangüesa, Artajona, Roncesvalles e a própria Catedral de Pamplona. As gárgulas, os arrendados e os pináculos de muitos monumentos medievais ganharam nova vida neste atelier, cuja continuidade depende da preservação deste valioso património.
Los Tres Juanes é uma empresa especializada na carpintaria tradicional espanhola, nomeadamente em estruturas de coberturas e tectos em caixotões, sejam estruturais ou decorativos, com entrelaçados, entalhes ou muqarnas em diversos estilos. A empresa foi fundada há mais de 20 anos pela associação de antigos alunos de uma escola-oficina de Atarfe, juntamente com o seu professor de carpintaria, um mestre carpinteiro do bairro de Albaicín, em Granada, especializado em carpintaria estrutural. É constituída por três sócios – Fernando Alanis Moreno, Juan de Dios García García e Luciano Ramírez Ruiz – aos quais se juntou uma equipa crescente de profissionais da carpintaria.
A partir do seu atelier em Atarfe, na Vega de Granada, realizaram numerosas obras de restauro de estruturas de coberturas históricas, algumas delas em colaboração com arquitectos de renome, como Enrique Nuere Matauco ou Rafael Manzano Martos. Entre os projectos mais relevantes contam-se monumentos espanhóis como o Palácio de Buenavista e o Palácio de Villalón – actualmente o Museu Picasso e Museu Thyssen de Málaga -, o Mosteiro de San Pelayo em Cevico Navero, a Igreja de Santa María de los Reales Alcázares em Úbeda, o Palácio do Condestável em Pamplona e o Museu Joaquín Peinado em Ronda. O trabalho desta empresa tem ainda atravessado fronteiras, com encomendas para os Estados Unidos, a Argélia e o Bahrein, onde este tipo de carpintaria tradicional continua a ser altamente valorizado.
Dispõem de maquinaria de última geração, que lhes permite controlar com precisão cada peça e os seus múltiplos encaixes, de acordo com as normas de construção actuais. No entanto, as ferramentas tradicionais continuam a ser indispensáveis no processo, assim como uma equipa altamente qualificada, capaz de ajustar, encaixar e montar este tipo de estruturas.
Desde o início da sua carreira, Fátima Quesada de la Cuesta ficou deslumbrada com a riqueza cromática e compositiva da azulejaria nazarita. Movida por essa admiração, decidiu centrar a sua investigação na recuperação das técnicas esquecidas que a tornaram possível: os seus traçados geométricos, as suas texturas, os seus pigmentos naturais, a química dos óxidos metálicos e os silicatos…Graças a este trabalho, e depois de ter frequentado a escola-oficina criada por Donald Gray em Lebrija, onde integrou a equipa docente, instalou o seu pequeno atelier em Pitres (La Taha), nas colinas da Alpujarra granadina, baptizando-o de Alizares.
Uma vez revitalizadas e actualizadas estas técnicas, começou a criar mosaicos de azulejaria únicos no mundo. Cada projecto é concebido especificamente para a superfície a que se destina, tendo em conta não apenas as suas dimensões, mas também as cores e a iluminação do espaço. Trata-se de composições fechadas, com um perímetro definido, semelhantes a uma tapeçaria de parede ou a um tapete.
O processo de produção começa, portanto, com a elaboração do desenho geral. Sem perder as texturas e gradações cromáticas desta tradição, Fátima trabalha nas peças necessárias para a composição desejada, introduzindo diversas actualizações que permitem um controlo rigoroso de qualidade. Cada elemento é cortado antes da cozedura, utilizando uma série de moldes que criou para o efeito. As arestas são sempre biseladas, tal como na azulejaria tradicional granadina, reduzindo ao mínimo as juntas entre azulejos na sua face visível. Por outro lado, na face interior, permitem a penetração da argamassa de fixação, assegurando que o mosaico de azulejos forme uma única massa com o suporte e evitando futuros desprendimentos.
Enric Pla Montferrer é uma referência internacional no domínio da forja. Descobriu o ofício na Escola d’Art de Vic, sob a orientação de mestres como Miquel Amblàs, e mais tarde aprofundou a sua formação com o escultor Josep Plandiura. Trinta anos após esse início, a partir do seu atelier em Alpens, uma pequena aldeia dos pré-Pirinéus catalães na província de Barcelona, modela o ferro para obter quase qualquer forma que se possa imaginar.
Como resultado, destacou-se pelo seu minucioso trabalho de forja em alguns dos edifícios mais emblemáticos do modernismo catalão, graças ao qual é agora o coordenador de todos os projectos de forja realizados no Templo da Sagrada Família, desde 2012. A sua intervenção inclui bancos, corrimões, escadas e outros elementos, consolidando-o como o maior especialista na forja ao estilo de Gaudí. Entre os seus trabalhos mais relevantes está o restauro do icónico armário da sacristia da Sagrada Família.
Graças ao seu domínio da forja modernista, passou do restauro à criação de novos modelos inspirados nessa tradição. O processo mantém-se essencialmente o mesmo desde há séculos: aquecer o metal na forja e moldá-lo na bigorna, não existindo praticamente nenhuma máquina que possa substituir o trabalho manual do forjador sem comprometer a qualidade. Assim, as formas e técnicas associadas às suas novas criações partilham o espírito dos mestres ferreiros do final do século XIX e início do século XX.
Desde 2001, Enric Pla Montferrer tem sido também um dos impulsionadores do Encontro Internacional de Ferreiros de Alpens, o mais importante do país, reunindo ferreiros de todo o mundo.
Foi publicada por ocasião da cerimónia de entrega de prémios do Concurso de Arquitectura Richard H. Driehaus e dos Prémios Richard H. Driehaus das Artes da Construção 2018, bem como da inauguração da exposição Nueva Arquitectura Tradicional: MMXVIII, na qual as obras dos vencedores de ambas as iniciativas foram exibidas de 14 de Junho a 26 de Julho de 2018, na Casa da Arquitectura em Madrid.
Esta publicação inclui os resultados do Concurso de Arquitectura Richard H. Driehaus e dos Prémios Richard H. Driehaus das Artes da Construção 2018. Ambos foram organizados pela INTBAU (International Network for Traditional Building, Architecture & Urbanism). Colaboram nesta iniciativa o Ministério do Fomento, através da Direcção-Geral de Arquitectura, Habitação e Território, o Ministério da Cultura e Desporto, através da Direcção-Geral de Belas-Artes, o Prémio Rafael Manzano de Nova Arquitectura Tradicional e o Conselho Superior das Ordens dos Arquitectos de Espanha.
Na quarta-feira, 13 de Junho, teve lugar na Casa da Arquitectura (Arquería de Nuevos Ministerios) a entrega dos Prémios Richard H. Driehaus das Artes da Construção.
A cerimónia foi presidida por Julio Gómez-Pomar, Secretário de Estado das Infra-estruturas, Transportes e Habitação; Luis Lafuente, Director-Geral de Belas-Artes e do Património Cultural; Richard H. Driehaus; Harriet Wennberg, Directora da INTBAU; Alfonso Samaniego, Vice-Presidente do Conselho Superior das Ordens dos Arquitectos de Espanha e Alejandro García Hermida, Coordenador e Presidente do Júri de ambas as iniciativas.