Portada » Iniciativas » Prémios » Prémios das Artes da Construção » Vencedores » Premiados 2019
O maiorquino Lluc Mir Anguera é conhecido na região como um mestre marger, especialista na construção de muros em pedra solta que caracterizam e estruturam as suas mais belas paisagens: os elementos de contenção que permitem preservar os desníveis existentes, as divisões entre campos de cultivo erguidas com a própria pedra que tem de ser retirada para trabalhá-los, as simples delimitações de propriedades, etc.
Esta técnica, recentemente declarada Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, exige um grande domínio do ofício, uma vez que a estabilidade destas construções depende inteiramente da colocação hábil da pedra, sem necessidade de recorrer a qualquer argamassa.
Lluc iniciou a sua formação na Escola de Margers do Conselho Insular de Maiorca (1998-2000), onde aprendeu as bases técnicas da profissão. A partir daí, continuou a sua aprendizagem ao lado de outros mestres até adquirir o grau e, posteriormente, completou a sua formação em cantaria na escola Artifex Balear, onde aprendeu entalhe e escultura, estereotomia e restauro. Vinte anos de experiência no domínio da pedra, juntamente com o seu interesse em aprender, investigar e partilhar conhecimentos, permitiram-lhe aprofundar continuamente a sua formação.
A sua empresa, que fundou em 2002, além da pedra solta, trabalha numa ampla variedade de projectos de restauro e recuperação de edifícios e paisagens, sempre com a pedra como protagonista. Executam também calçadas e lajes de pedra de todo o tipo, cabanas, fornos de cal, arcos e abóbadas de pedra, revestimento de fachadas em pedra, paredes de alvenaria e argamassa de cal, desenho e criação de lavatórios e fontes, elementos escultóricos e outras obras.
Lluc é co-fundador e presidente do Gremi de Margers de Maiorca, criado em 2016 com o intuito de proteger e transmitir este ofício, essencial para preservar a identidade da região. Adicionalmente, fez parte do grupo de especialistas que elaborou a qualificação profissional para a construção em pedra solta a nível nacional, através do Instituto Nacional de Qualificações do Ministério da Educação e Formação Profissional, do Conselho da Educação do Governo das Ilhas Baleares e do Conselho Insular de Maiorca.
Miguel Ángel Balmaseda, natural de Écija, dedica-se à carpintaria e marcenaria, seguindo a tradição familiar transmitida pelo pai e pelo avô. Começou a ajudar o pai na oficina aos 9 anos de idade, conciliando este trabalho com os estudos até concluir a formação pré-universitária.
Na sua oficina fazia vigas, mísulas, capitéis, caixotões, galerias, móveis, etc. No entanto, assim como os seus antecessores, destaca-se particularmente no fabrico das icónicas portas e janelas de Écija, com ênfase nas portas com orelheiras, típicas da tradição.
Estas portas, caracterizadas pelos ricos desenhos geométricos chanfrados, atingem por vezes um elevado nível de complexidade. A complexidade do seu desenho depende do número de centros ou partes em que cada porta se divide, sendo o mais comum terem de um a três centros, embora podendo chegar a cinco. Quanto às singulares orelheiras que coroam as extremidades superiores das suas molduras – e, por vezes, também o centro da parte superior das mesmas -, estas apresentam uma grande variedade de formas, podendo os seus perfis ser rectos ou curvos. É também muito característica da região a pintura da parte central das molduras de algumas destas portas, com pigmento negro de fumo ou verde muito escuro.
Embora o trabalho do carpinteiro possa ser aperfeiçoado, Balmaseda mantém vivo o lema transmitido pelos seus antecessores: “Esculpe bem, desenha com precisão e trabalharás com gosto”, pois a precisão é a chave para um trabalho bem feito. Esta precisão é mais fácil de alcançar actualmente, graças à introdução de certas ferramentas e máquinas simples, como a serra ou máquina de corte, a plaina para alisar a madeira, a plaina desengrossadeira para obter as secções desejadas e a tupia para moldar e entalhar. Ainda assim, o ofício preserva a sua essência, sem grandes mudanças desde que o aprendeu.
Miguel Ángel é hoje um dos últimos detentores de uma técnica única que, durante séculos, conferiu uma identidade particular aos majestosos palácios e edifícios mais representativos da cidade.
Natural de Leão, Luis Prieto iniciou a sua trajectória profissional seguindo a tradição familiar. O seu avô, Amador Prieto, dirigia a Drogaria Prieto León, onde se elaboravam tintas e todo o tipo de produtos químicos populares. Já o seu pai, Agustín Prieto, era pintor e trabalhava no seu próprio atelier Agustín Prieto (El Botas).
Completou a sua formação com estudos de pintura, desenho, estuque, colorimetria, fabrico de cores e tintas, restauro, entre outras áreas. A sua sede de conhecimento levou-o a aprender e investigar novas técnicas em diversos países, incluindo Espanha, Alemanha, Bélgica e França e em instituições como o Instituto Superior de Pintura Van Der Kelen-Logelain, em Bruxelas, e Les Ateliers du Beaucet, em França. No entanto, ainda mais relevantes foram as suas numerosas viagens de estudo, que lhe permitiram assimilar as tradições artesanais de múltiplos países de diferentes continentes e as colaborações com outros grandes artesãos europeus. Entre estes destacam-se Vincent Tripard, com quem trabalhou na recuperação e aplicação de terras e pigmentos naturais em Roussillon, França, e Ignacio Gárate Rojas, referência nas artes da cal e do gesso, contribuindo para a redacção dos seus célebres manuais.
Luis tem o seu atelier no centro de Madrid, onde se dedica à elaboração de estuques e revestimentos artesanais de gesso e cal, bem como à produção de tintas decorativas. Para isso, utiliza materiais de fabrico próprio, recorrendo sempre a pigmentos naturais, especialmente os de origem mineral conhecidos como terras, dos quais possui uma vasta colecção. Desta forma, contrapõe-se à progressiva uniformização das cores utilizadas actualmente nos edifícios de todo o mundo, devido ao predomínio dos pigmentos industriais comercializados apenas por um punhado de multinacionais, com a perda de riqueza cultural e cromática que isso implica. É um defensor acérrimo de que a verdadeira modernidade reside na valorização do património, na aplicação de técnicas ancestrais e materiais comprovados ao longo do tempo, aprofundando a química “natural” derivada do empirismo artesanal. Nesse sentido, trabalha para a recuperação das minas de cor, da cal, do gesso e de outros materiais tradicionais, como gomas, resinas, óleos e amidos.
O seu extenso portfólio inclui a Casa del Greco de Toledo, o Museu Romântico de Madrid, o Museu Lázaro Galdiano, o Museu Cerralbo, o Palácio do Marquês de Duas Águas (Museu Nacional da Cerâmica) em Valência, o Palácio da Justiça de Madrid, o Congresso dos Deputados, a Sala de Reuniões da Escola de Minas de Madrid, o Mosteiro de Yuste em Cáceres, a Real Academia Nacional de Medicina e a Real Academia de Belas-Artes de San Fernando e o Convento das Comendadoras de Santiago em Madrid, cidade onde também foi responsável pelo revestimento de diversas fachadas no centro histórico.
A mestre vidreira Anna Santolaria Tura fundou, em 2013, o atelier de vitrais Can Pinyonaire, situado no coração do bairro antigo de Girona.
Anna combinou a sua formação artesanal no atelier J. M. Bonet e na Fundação Centro del Vidrio, ambos em Barcelona, com os seus estudos de Belas-Artes na Universitat de Barcelona e de Conservação de Vitrais na University of York.
Especializou-se tanto na conservação e restauro de vitrais como na criação de novas obras, desenvolvendo projectos a partir de desenhos próprios, em colaboração com diferentes artistas de outras disciplinas ou replicando composições existentes, sempre com base nas técnicas tradicionais do vitral.
Estudou os painéis de vitrais da Catedral de Girona, que conservam as linhas e até os orifícios dos pregos utilizados na sua construção no século XIV. Trata-se de um testemunho único no mundo sobre o processo de criação dos vitrais na Idade Média, que lhe permitiu compreender melhor o trabalho dos mestres da época.
Apesar do carácter fragmentado dos vitrais, os seus restauros procuram sempre restabelecer a unidade potencial das peças, considerando o seu duplo valor, estético e histórico, para garantir a sua melhor preservação para o futuro. Neste âmbito, colaborou com o Barley Studios (Dunnington), York Glaziers Trust (York), Domkyrka Stained Glass Conservation Studio (Uppsala) e Naumburg Cathedral Studio (Naumburg), entre outros. É membro do Corpus Vitrearum Medii Aevi desde 2017 e assessora do Corpus Vitrearum da Catalunha.
Entre as suas obras de maior destaque, colaborou em projectos de conservação e restauro de vitrais edifícios europeus, tais como os da Casa Batlló (Barcelona), a Catedral de Naumburg (Alemanha), as catedrais de Lichfield e York (Reino Unido), a Catedral de Upsala (Suécia), o Mosteiro de Santes Creus, em Tarragona e a igreja de Santa Maria de Vilafranca, em Vilafranca del Penedès. Além disso, criou novos vitrais para edifícios públicos e privados em diversas partes da Europa.
Foi publicada por ocasião da cerimónia de entrega de prémios do Concurso de Arquitectura Richard H. Driehaus e dos Prémios Richard H. Driehaus das Artes da Construção 2019, bem como da inauguração da Exposição Nueva Arquitectura Tradicional: MMXIX, na qual as obras dos vencedores de ambas as iniciativas foram exibidas de 13 de Junho a 28 de Julho de 2019 na Casa da Arquitectura (Arquería de Nuevos Ministerios), em Madrid.
Ambas as iniciativas foram convocadas pela INTBAU (International Network for Traditional Building, Architecture & Urbanism). Colaboram nesta iniciativa o Ministério do Fomento, através da Direcção-Geral de Arquitectura, Habitação e Território, o Ministério da Cultura e Desporto, através da Direcção-Geral de Belas-Artes, o Prémio Rafael Manzano de Nova Arquitectura Tradicional e o Conselho Superior das Ordens dos Arquitectos de Espanha.
Na quarta-feira, 12 de Junho, teve lugar na Casa da Arquitectura (Arquería de Nuevos Ministerios) a cerimónia de entrega dos Prémios Richard H. Driehaus das Artes da Construção.
A cerimónia foi presidida pelo Secretário de Estado das Infra-estruturas, Transportes e Habitação, Pedro Saura García, pelo Director-Geral da Arquitectura, Habitação e Território, Javier Martín Ramiro, por Richard H. Driehaus, por Harriet Wennberg, Directora da INTBAU, por Laureano Matas, Secretário do Conselho Superior das Ordens dos Arquitectos de Espanha e por Alejandro García Hermida, Director das iniciativas promovidas por Driehaus em Espanha e Portugal.