Portada » Iniciativas » Prémios » Prémios das Artes da Construção » Vencedores » Premiados 2024
Sebastián Pérez Gómez é um mestre pedreiro, especializado no entalhe de tijolos de barro cozido. A vila de Fuentes de Andalucía, na província de Sevilha, foi o pano de fundo da sua formação e desenvolvimento profissional. Sebastián começou a aprender o ofício desde muito cedo, sob a tutela do seu pai, José Pérez Gamero, conhecido localmente como el Sillero. Esta formação prática, adquirida diariamente ao lado do seu pai e de outros mestres pedreiros, permitiu-lhe obter os conhecimentos necessários para realizar todo o tipo de trabalhos de alvenaria.
Entre as competências adquiridas, Sebastián sentiu-se especialmente atraído pela arte de talhar tijolos de barro, uma técnica que captou o seu interesse pelo seu potencial artístico e na qual se especializou ao longo dos anos. O domínio desta técnica permitiu-lhe realizar um grande número de obras, a maioria das quais em Fuentes de Andalucía, tanto em construções novas como trabalhos de restauro. Também desempenhou um papel fundamental no seu percurso profissional a colaboração com o arquitecto Fernando Martín Sanjuán, de Écija, galardoado com o Prémio Rafael Manzano de Nova Arquitectura Tradicional em 2020. Graças a esta parceria, Sebastián pôde aprofundar o seu conhecimento sobre o valioso património arquitectónico da região de Écija.
Para compreender a paixão de Sebastián pelo seu ofício, é igualmente importante destacar a influência exercida pelo rico ambiente construído da sua cidade natal, especialmente as características portadas de tijolo que compõem as suas ruas. Algumas destas portadas, muitas das quais atribuídas à célebre família de alarifes conhecida como Ruiz Florindo, são verdadeiras obras-primas da arquitectura tradicional andaluza.
Entre as obras realizadas por Sebastián, destacam-se as numerosas intervenções nas fachadas de várias casas em Fuentes de Andalucía, onde foi responsável pela concepção e incorporação de elementos ornamentais como pilastras, cornijas, frontões, pingentes e estípites, todos esculpidos em tijolo de barro cozido. Efectuou também importantes trabalhos de restauro de edifícios históricos, como um grande palacete situado na rua Lora del Río, onde restaurou uma portada barroca e recuperou o esplendor original de vários pátios e de uma imponente torre, degradada pela passagem do tempo e a falta de manutenção.
Max Rutgers, nascido nos Países Baixos, sentiu-se atraído pelo mundo da madeira desde muito jovem. A sua paixão pela arte, escultura e desenho levou-o, em 1994, a formar-se como carpinteiro de estruturas em França, nos Compagnons du Devoir. Esta associação francesa de artesãos, cujas raízes remontam à Idade Média, ofrece uma formação que inclui uma etapa itinerante, conhecida como Tour de France. Durante esse período, os aprendizes têm a oportunidade de trabalhar com vários mestres artesãos, mudando de local de trabalho aproximadamente a cada seis meses, o que lhes permite familiarizar-se com diferentes tradições e técnicas de trabalho. Para Max, esta experiência marcou o início de um percurso pessoal e profissional que se mantém até aos dias de hoje.
Em 2007, após trabalhar em diversos locais da Europa, América e África, estabeleceu-se na região do Alto Ampurdão, em Girona, onde fundou a sua empresa, MaxMadera. Como carpinteiro especializado na construção de estruturas de madeira, muitos dos seus primeiros projectos consistiram na realização de alpendres e pequenas estruturas de coberturas. Após os primeiros anos dedicados a todo o tipo de trabalhos e pequenos projectos, surgiu-lhe a oportunidade de efectuar importantes obras de restauro em património edificado, bem como de construir e reabilitar estruturas de madeira para grandes habitações e masías e outras construções singulares. Graças ao seu profundo conhecimento do ofício e das técnicas tradicionais de carpintaria, conseguiu realizar estes e muitos outros trabalhos, como o entalhe de vigas ou mísulas de madeira.
Para além de contar com carpinteiros experientes, a sua equipa é também composta por estagiários que procuram no seu atelier a oportunidade de realizar projectos de carpintaria estrutural que exigem um elevado domínio manual e das técnicas de construção artesanal. Por esta razão, Max colabora regularmente com os Compagnons du Devoir, acolhendo jovens aprendizes de várias regiões da Europa, oferecendo-lhes uma formação muito semelhante à que ele próprio recebeu durante os seus anos enquanto Compagnon.
Ao longo das duas últimas décadas, Max realizou, em diversos locais da Catalunha e noutras zonas de Espanha, importantes trabalhos de restauro e obra nova. Entre eles, destacam-se o restauro do campanário da igreja de Sant Andreu de Serinyà; a cúpula de Mas Marroch; as vigas-mestras e caibros do Claustre dels Gats do Mosteiro de Pedralbes; a reabilitação completa de Can Buch; e a recuperação de 86 cabeças de vigas talhadas, todas diferentes entre si, na Casa Burés.
Julio Barbero é um mestre artesão especializado em rebocos tradicionais de cal e, mais especificamente, em esgrafitos. Julio tem o seu atelier em Burgohondo, uma pequena aldeia na província de Ávila, onde vive há mais de quatro décadas com a sua família. É precisamente neste local que Julio e a sua equipa preparam a cal utilizada posteriormente em fachadas e paramentos por toda a Península. O seu primeiro contacto com este material deu-se na juventude, quando, para ganhar a vida, pintava e caiava paredes com tinta de cal. Mais tarde, em Barcelona, conheceu o mestre pintor e estucador Joan Campreciós, descendente de uma longa linhagem de mestres estucadores, que lhe ensinou as inúmeras possibilidades da cal como material de construção. Foi também ele quem lhe transmitiu o conhecimento sobre o uso da cal na execução de esgrafitos, técnica na qual Julio acabou por se especializar ao longo dos anos, tornando-se num dos mestres mais reconhecidos deste ofício em Espanha.
Graças ao carácter itinerante da sua empresa, Julio percorreu, nos últimos trinta anos, toda a geografia espanhola. Estas viagens permitiram-lhe conhecer as diferentes técnicas regionais do trabalho com cal, que acabou por integrar em muitas das suas obras. Assim, incorporou elementos do esgrafito de Segóvia, conhecido pelos seus motivos geométricos e arabescos; adoptou, por vezes, a simplicidade dos rebocos lisos à madrilena; explorou a complexidade do esgrafito catalão, com a sua ampla gama de motivos que inclui desde figuras humanas e animais até cenas do quotidiano; e experimentou com os fingidos toledanos, uma técnica de trompe-l’oeil em que se usam rebocos para recriar fachadas de tijolo ou outros materiais.
O processo de trabalho de Julio e da sua equipa começa, normalmente, com o apagamento da cal viva, obtida em algumas das melhores pedreiras de Espanha e Portugal. A contínua hidratação do óxido de cálcio nas jazidas da sua empresa em Burgohondo permite-lhes trabalhar sempre com argamassas tradicionais de cal gorda de alta qualidade, armazenadas durante pelo menos três anos.
Ao longo da sua extensa carreira profissional, Julio trabalhou em dezenas de construções por toda a Espanha. Entre os seus trabalhos mais destacados encontram-se os rebocos exteriores do Palácio de Trénor, nas Astúrias; a intervenção na secção elevada do Aqueduto de Segóvia; a reabilitação do Castelo de Turégano, também em Segóvia; as obras de rejuntamento de pedra realizados na Porta de Alcalá, em Madrid; ou os inúmeros esgrafitos e outros acabamentos de cal realizados em fachadas de edifícios residenciais, tanto históricos como de nova construção, nas cidades de Ávila, Segóvia e Madrid.
Em busca de novos horizontes profissionais e com a convicção de que Espanha possuía um rico património para a aprendizagem do ofício, decidiu mudar-se, primeiro, para a Andaluzia e, depois, para a Galiza. Em 2001, criou o seu primeiro atelier de forja artística em Bande, na província de Ourense, onde também deu vários cursos de iniciação à forja tradicional.
Em 2006, após vários anos de actividade, Friedrich mudou-se para as Astúrias, para Santa Eulália de Oscos, onde ficou responsável pelo Conjunto Etnográfico do Malho de Mazonovo: um malho do século XVIII em excelente estado de conservação que, após o seu restauro, foi aberto ao público. Friedrich encarregou-se, desde o início, da manutenção e conservação do malho, enquanto se formava com alguns dos poucos ferreiros de malho ainda vivos na época.
Durante as duas décadas em que foi responsável pelo malho, não só conseguiu mantê-lo em funcionamento e oferecer demonstrações diárias a um público crescente, como também incluiu o malho como parte essencial do processo de fabricação de peças de forja. Assim, o malho de Mazonovo tornou-se o último malho hidráulico num atelier de forja activo na Península Ibérica.
Desde 2014, Friedrich e a sua equipa realizaram um vasto conjunto de trabalhos de forja – tanto de obra nova como de restauro – em importantes edifícios patrimoniais. Entre eles, destacam-se o Palácio do Marquês de Santa Cruz de Castropol, o Palácio de Trénor em Figueras e o Palácio das Torres de Donlebún em Barres. Nestes conjuntos, realizaram uma grande diversidade de peças, incluindo vários tipos de acessórios de ferragem (dobradiças, fechos, trincos, aldravas e ferrolhos), a reconstrução de um corrimão de escada de três andares e outros de menor dimensão, bem como a produção de um grande número de gradeamentos. Além disso, conceberam e fabricaram diversos modelos de cadeiras e candeeiros. Todas estas peças foram produzidas de acordo com as técnicas tradicionais de forja.
Foi publicado em junho de 2024 por ocasião da cerimónia de entrega realizada no Museu da América, em Madrid.
Esta publicação reúne os resultados da primeira fase do Concurso de Arquitetura Richard H. Driehaus, dos Prémios das Artes da Construção 2024 e das Bolsas Donald Gray das Artes da Construção 2023–2024, convocados pela Fundação Culturas Construtivas Tradicionais com a colaboração da INTBAU Espanha, do Ministério da Cultura e do Desporto e do Conselho Superior dos Colégios de Arquitetos de Espanha.
A Cerimónia de Entrega dos Prémios das Artes da Construção 2024 realizou-se no dia 14 de junho, no Museu da América, em Madrid. A cerimónia foi presidida por Susana Alcalde, Subdiretora-Geral do Instituto do Património Cultural de Espanha. Acompanharam-na na mesa Leopoldo Gil Cornet, Presidente da Fundação Culturas Construtivas Tradicionais; Daniel Monfort Vinuesa, Diretor-Geral do Conselho Superior dos Colégios de Arquitetos de Espanha; e Alejandro García Hermida, Diretor Executivo da Fundação Culturas Construtivas Tradicionais.
Estes prémios são convocados anualmente pela Fundação Culturas Construtivas Tradicionais. A edição de 2024 foi organizada em colaboração com a INTBAU Espanha, o Ministério da Cultura e do Desporto e o Conselho Superior dos Colégios de Arquitetos de Espanha.